O suicídio é a segunda causa de morte, tratável ou evitável, mais comum entre jovens de todo o mundo segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS). As estatísticas crescentes também repercutem em Teresina, que, de 2002 a 2012, ficou em segundo lugar no ranking das capitais brasileiras em taxa de suicídio. Diante desta conjuntura, o debate acerca do tema chegou à Secretaria Municipal de Administração e Recursos Humanos (Sema), onde as psicólogas Hedwiges Maria Lima e Danielle Costa conversaram, na manhã desta sexta-feira (14), com os servidores da pasta.

Durante o encontro, as terapeutas revelaram que uma morte por suicídio afeta de seis a dez pessoas que conviviam com aquela pessoa. “Todos sofrem quando uma pessoa decide por fim ao seu sofrimento. E é muito importante que fiquemos atentos aos sinais que indicam ideação suicida, como tristeza extrema, isolamento, falta de apetite. Nós devemos perder o medo de se aproximar do outro e oferecer ajuda. Às vezes, você nem precisa falar, só ouvir o que o outro tem a dizer, ou deixá-lo chorar, sem julgar, já ajuda bastante”, pondera Danielle Costa.

Para a auditora aposentada e presidente da Comissão Permanente de Licitação de Compras da Prefeitura de Teresina, Hortulina Paiva, ainda existe um tabu muito grande em torno do suicídio. “As pessoas preferem não falar sobre o assunto e as próprias famílias, quando acontece um caso, acabam escondendo da sociedade e essa ‘maquiagem’ não ajuda a solucionar o problema”, disse.

Durante a palestra, pelo menos três participantes externaram casos de suicídio ou de tentativas envolvendo parentes próximos. Para João Henrique Sampaio, psicólogo do Núcleo de Desenvolvimento e Recursos Humanos da Sema (Nuderh), os relatos comprovam a seriedade do problema, que já é considerado de saúde pública. “A gente precisa conversar, acolher e ficar de olho nos nossos filhos, amigos e familiares, pois o suicídio pode acontecer entre pessoas de qualquer faixa etária, classe social e profissão”, comenta.

Prevenção

Em Teresina, o Centro de Valorização da Vida (CVV), organização não governamental, presta apoio emocional e prevenção ao suicídio através do telefone 3222-0000. O atendimento acontece das 6h às 22h. O serviço tem apoio da Fundação Municipal de Saúde (FMS) e da Secretaria Municipal do Trabalho, Cidadania e de Assistência Social (Semtcas), que cede duas salas na sua sede, localizada na Rua Álvaro Mendes, 861 – Centro (Sul).

Além disso, os Centros de Atenção Psicossocial (Caps), distribuídos em todas as zonas da cidade, também oferecem atendimento de psiquiatra, psicólogo, enfermeira, terapeuta ocupacional, assistente social e uma equipe de apoio, que oferece atendimentos individuais, em grupo, atividades comunitárias, oficinas terapêutica e atendimento para a família (visita domiciliar, grupo de familiares). O horário de funcionamento dos Caps é de 8h às 18h.

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